Biografia de George William Butler
George W. Butler, natural da
Geórgia, estudou medicina em Baltimore e chegou ao Brasil em 1883,
como médico missionário da Igreja Presbiteriana do sul dos Estados
Unidos. Era casado com a Sra. Rena Humphrey Butler. Após um estágio
de dois anos em Recife, transferiram-se em maio de 1885 para São
Luís do Maranhão. A primeira pessoa convertida e batizada pelo Dr.
Butler foi uma senhora da alta sociedade local, D. Maria Bárbara
Belfort Duarte, esposa de um parlamentar e tribuno do império. A
igreja de São Luís foi organizada em junho de 1886 e em julho do ano
seguinte foi inaugurado o seu templo. Obreiro consagrado e grande
evangelista, o trabalho do Rev. Butler estendeu-se pelo interior do
Maranhão e ao estado vizinho do Piauí.
Em 1893, o Rev. Butler foi
transferido para Recife, substituindo-o em São Luís o Rev. Belmiro
de Araújo César. No ano seguinte, o casal Butler foi residir em
Garanhuns, onde a obra evangélica fora iniciada recentemente,
debaixo de violenta perseguição. Em janeiro de 1895 foram batizados
os primeiros conversos (quinze pessoas), entre os quais Jerônimo
Gueiros. Eventualmente, muitos membros dessa importante família
iriam filiar-se à igreja presbiteriana. As perseguições continuavam:
a casa do Dr. Butler, onde se realizavam os cultos, era
constantemente apedrejada. Sua esposa tinha de colocar os filhos
debaixo de uma mesa para protegê-los das pedras arremessadas no
telhado. O grande adversário dos evangélicos foi um frade salesiano,
cujo secretário, Constâncio Homero Omegna, converteu-se e veio a ser
grande pastor, educador e musicista na Igreja Presbiteriana.
Naquela época, houve uma epidemia
de febre amarela em Ganharuns que ceifou a vida de mais de 800
pessoas. Butler desdobrou-se no atendimento aos enfermos. Quando
cessou a epidemia, o missionário era estimado e respeitado por
todos. Seu trabalho evangelístico produziu muitos frutos em toda a
região. Garanhuns tornou-se um centro irradiador da fé evangélica.
Butler construiu o templo local, uma escola paroquial (origem do
Colégio Quinze de Novembro) e contribuiu para a criação de um curso
teológico que mais tarde viria a ser o Seminário Presbiteriano do
Norte.
Em dezembro de 1896, o Dr. Butler
defendeu tese na Faculdade de Medicina e Farmácia da Bahia
(Salvador) para poder clinicar no Brasil. Pouco depois, mudou-se
para Canhotinho, a cerca de 25 km de Garanhuns, onde passaria o
restante da sua vida. Em março de 1898, ao visitar a cidade de São
Bento do Una, encontrou forte oposição clerical. No dia 5, quando
ele e seus companheiros saíam da cidade, um homem tentou matá-lo,
mas o punhal atingiu o Sr. Manoel Correia Vilela (conhecido como Né
Vilela), que morreu imediatamente. Anos mais tarde, o Dr. Butler
transferiu para o novo templo de Canhotinho os restos mortais
daquele amigo que morrera para salvá-lo.
O trabalho
missionário e médico de Butler continuou a expandir-se nos vinte
anos seguintes. Sua fama de grande médico e cirurgião atraía pessoas
de 500 km ao redor, a quem ele atendia mediante modesto pagamento ou
gratuitamente, das 6 horas da manhã às 11 da noite. Quase todos os
dias fazia cinco a dez operações, geralmente muito bem sucedidas.
Era admirado como evangelista e pregador, e também como um homem de
oração. Além do grande templo de Canhotinho, construiu um colégio e
um hospital. O Rev. George Butler faleceu em 27 de maio de 1919. No
dia seguinte, ao ser sepultado, todo o comércio da cidade fechou as
portas espontaneamente. Esse homem de Deus deixou solidamente
implantada a fé evangélica no Agreste pernambucano e estabeleceu em
Garanhuns o grande centro irradiador onde se formaram pastores para
todo o norte e nordeste do Brasil. |