Crescimento Saudável de um Ministério de Louvor & Adoração
Nos últimos anos tenho pensado muito a respeito de como transformar um grupo de pessoas comuns, num grupo de "Ministros do altar". Muitos pastores também o têm, creio que alguns têm até perdido o sono para pensar a esse respeito.
Não tenho a pretensão de dar a última resposta em como trazer um crescimento saudável para um ministério de Louvor & Adoração, mas tenho a intenção de contribuir um pouco, e talvez dar mais alguns minutos de sono, para alguns destes pastores.
Existem quatro aspectos necessários para este crescimento.
1º - Verdade "O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não seja sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos" Oséias 4:6 (ênfase minha).
Tenho acumulado boas amizades em minha vida. Bill Hybels, Judson Cornwall, Davi, Abraão, Ron Mehl, Marcos Witt, Jack Hayford, Atilano Muradas, Ron Kenoly, João A. de Souza Filho, Sandro Baggio, Bob Fitts, Paulo de Tarso, João Batista, Don Moen, Adhemar de Campos, Tommy Walker, entre outros. São todos meus amigos e faço questão de ter e ler seus livros e cds. Eles ainda não sabem disso, mas eu os considero como grandes amigos e verdadeiros irmãos. Por quê? Porque eu permito que esses homens influenciem minha vida de uma maneira saudável. Se quisermos manter uma vida de crescimento espiritual para nossos ministérios no lar, na igreja e no mundo, precisamos nos dedicar ao hábito de ler bons livros e escutar bons
CD's. A sabedoria que precisamos para tomar decisões certas, viver uma vida equilibrada e bem sucedida pode ser encontradas em muitos livros e
CD's de pessoas que já navegaram pelos mares da vida antes de nós, e estão dispostas a nos relatar o que viram e experimentaram.
Infelizmente nossos músicos normalmente só gostam de ler revistas especializadas, no instrumento musical de sua preferência, eles quase nunca têm tempo para uma leitura que trará uma visão mais abrangente da VERDADE, isto sem mencionar a leitura da Bíblia.
Necessitamos em nossos ministérios de pessoas dispostas a aprenderem mais e mais, e o estudo das verdades podem evitar muitos erros, como ler o manual de instruções antes de ligar o novo aparelho que acabou de comprar, muitos ministérios não naufragariam se tivessem tido o cuidado de ler e aprender sobre a verdade que têm de cantar.
Muitos músicos não se dão de "Corpo e Alma" para o ministério local, por simples falta de conhecimento de como fazer isso. Eles não sabem como, quando, porquê e para quê fazer isso.
Creio que se tivéssemos mais estudos bíblicos em nossos ministérios, e menos reuniões para discutirmos assuntos, não tão urgentes, hoje teríamos uma das maiores gerações de adoradores da história. "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" João 8:32.
Judson Cornwall diz: "Desde o início de seu ministério, Jesus, pelo exemplo, nos ensinou que enquanto não tivermos uma visão adequada da essência da adoração, não estaremos aptos a administrar com segurança as sensações associadas à adoração".
Depois de termos a visão correta da adoração e da "verdade", estaremos aptos ao ministério; SACERDÓCIO.
2º - Sacerdócio "Eles (Sacerdotes Levíticos) entrarão no meu santuário, e se chegarão à minha mesa, para me servirem, e guardarão a minha ordenança" Ezequiel 44:16 (ênfase minha).
Marcos Witt diz: "Servir e dar não são palavras que caracterizam muitos músicos hoje em dia, tanto fora como dentro da igreja de Jesus Cristo. É triste reconhecer, mas ao enfrentarmos esta realidade poderemos dedicar-nos a ajustar estas atitudes incorretas, e desta maneira, chegar mais próximo de como é nosso Senhor".
Jesus foi, e é nosso maior (para não dizer o único) referencial de ministério, Ele era uma pessoa totalmente entregue a todas as pessoas. Este é um dos atributos menos praticados em nossos ministérios, então, "Este atributo (Servir) deveria caracterizar aqueles que estão no corpo de Cristo e, sobretudo, aos que se dedicam ao ministério" - Marcos Witt (paráfrase minha).
Hoje em dia todos conhecemos, ou já ouvimos sobre listas enormes de exigências que os artistas seculares (e até evangélicos) fazem para poderem se apresentar (chega a ser cômico!). Seria uma grande heresia pensarmos que Jesus se comportaria de igual forma. Não creio que Jesus cobrou para curar a sogra de Pedro, também não vejo escrito em nenhum lugar qual foi à exigência que Jesus fez a Jairo para curar sua filha, não me lembro de ter lido que Jesus recebeu dinheiro para ser crucificado na cruz.
Temos que entender algo aqui, certamente o ministério de Jesus teve gastos financeiros, por que se não, não haveria necessidade de ter um tesoureiro. Creio que havia algumas doações para o sustento das pessoas que andavam dia e noite com Jesus e seus discípulos. A questão é que Jesus nunca deixou de fazer o que foi chamado a fazer, por falta de algum tipo de pagamento, financeiro ou não.
"Assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos" Mateus 20:28.
Hoje temos uma visão destorcida do plano de Deus para nosso sacerdócio. Poucas são as pessoas (músicos) que se interessam por servir na mesa do Senhor. Mas Deus chamou um grupo seleto de Pessoas para este "serviço" em seu reino, NÓS. Quando começamos a pensar deste modo, começamos ter a visão correta deste sacerdócio.
Temos a pretensão de achar que nossa função é somente em nossos cultos, esquecendo que todos os levitas viviam (moravam) ao redor do tabernáculo, suas vidas eram guiadas pela "unção" que carregavam. A culpa disto não é apenas dos músicos, temos que colocar a devida parcela de culpa que nossos LÍDERES MUSICAIS devem possuir. Hoje nossos líderes se preocupam normalmente (para não dizer apenas) com seus problemas, quando deveriam se preocupar mais com o povo que Deus deu para que possam ministrar. Muitas vezes esquecem também que têm de dar condições para que os "levitas" possam fazer àquilo para o qual se dispuseram a fazer. Nossos líderes muitas vezes não se preocupam se seus músicos são casados ou não, marcam muitos ensaios e reuniões, a maioria em horários esquisitos, determinam qual é a música que devem "tirar", e cobram muito. Cobra-se do músico local uma "devoção" (a maioria das vezes) superior àquilo que pode fazer. E quem não faz é rotulado como irresponsável.
Eu muitas vezes andei mais de 3 horas para chegar a igreja para um ensaio ou para o culto. Não tinha um real no bolso, normalmente chegava atrasado e era chamado de irresponsável. No caso do culto, eu nem podia chegar perto do instrumento, era simplesmente punido. Quando eu ousava falar dos problemas financeiros que tinha, ao ponto de não ter dinheiro para uma condução, meus líderes simplesmente diziam: "Todos temos problemas, eu não te encho com meus problemas, então não me venha com desculpas". Então tinha que sair com muito mais antecedência, pois era OBRIGATÓRIA a presença na hora. Preocupava-se mais com horário que o ensaio começava, do que como ia a vida dos membros daquele grupo. Naqueles dias, decidi que quando tivesse uma oportunidade, sempre iria, na medida do possível, preocupar-me com o povo, e também com meus músicos. Sempre diria perguntas como: Como vai indo? Posso fazer algo por você? Porque você chegou atrasado hoje? Você tem condições de fazer isso? Você não quer dormir em casa hoje? Vamos comer uma pizza?
Quando foi que você, líder, disse a um de seus músicos: Obrigado... Parabéns... Excelente trabalho... Gosto muito da oportunidade de tocar com você... etc. São atitudes que você pode achar bobagem, mas será mesmo? Experimente falar a um de seus músicos, experimente querer saber um pouco mais da vida de seus músicos. Experimente.
Assisti a um filme há algum tempo. Era um candidato ao cargo de presidente dos EUA. Descobriu-se que um dos seus subordinados diretos tinha cometido um grande crime eleitoral, e este candidato em questão disse algo que me deixou impressionado: "Eu renuncio e coloco minha candidatura à disposição do FBI para uma investigação de cima a baixo". OPA! "de cima para baixo". Esta frase me marcou tanto que acabei desligando a TV, deitei e fiquei durante algumas horas pensando nesta expressão, DE CIMA A BAIXO... esse candidato estava pagando um preço que não era seu, a culpa não era sua, mas este assessor era sua responsabilidade, então assumiu a culpa. Creio que muitos músicos até querem se dar de "corpo e alma" ao ministério local, mas apenas vêm cobranças e responsabilidades acima de sua capacidade de pensar.
Pena que normalmente atitudes assim só aconteçam em filmes, mas creio que precisamos de líderes que se disponham a pagar um preço por seus liderados, ao ponto de "SUJAR AS MÃOS".
Jesus sempre tinha uma atitude de servo, Ele sabia da necessidade do povo, isto era o que interessava, ver a todos livres e satisfeitos. Ele realmente foi nosso maior Líder, pagou o preço de uma conta que não era sua. Por quê?
Jesus nos leva ao terceiro aspecto principal de um ministério; AMOR.
3º - Amor "Depois disse o Senhor a Arão: Tu e teus filhos, e a casa de teu pai contigo, levareis a iniqüidade do santuário; e tu e teus filhos contigo levareis a iniqüidade do vosso sacerdócio" Números 18:1(ênfase minha).
"Ao servir na presença do Senhor, ao dar nossa vida à obra do reino como devemos, já que todos fomos feitos reis e sacerdotes, estamos entregando nossas vidas para que, aqueles que não conhecem a Cristo e também os que conhecem, possam ter alguém do Corpo de Cristo com quem falar sobre seus problemas, angústias, pecados, etc. Isto é parte da função do corpo" Marcos Witt.
Gosto muito deste aspecto do amor. Muitas vezes nos esquecemos que para amar, ou falar de amor, é necessário "Sujar as Mãos".
No tabernáculo os levitas faziam todos os sacrifícios para arrependimento e expiação dos pecados, era preciso sempre sujar as mãos com as gorduras e com sangue dos animais para que o povo pudesse receber o perdão, por isso a necessidade da pia de cobre na porta do tabernáculo, para que pudessem lavar as mãos antes da adoração.
Hoje nós (levitas) não temos necessidade de matar animais para trazer o perdão de Deus até o povo, mas ainda temos que Sujar as mãos, pois como Marcos Witt disse, muitas vezes as pessoas irão nos procurar para falar de seus problemas.
A questão aqui é o que vamos fazer depois de ouvir sobre o problema do outros, note, o problema não é nosso, não temos nada a ver com ele, teríamos todo o direito de dizer, "não me compete, meu irmão, ouvir sobre seus problemas, por favor, leve-os para outro lugar, minha responsabilidade é apenas tocar meu instrumento e cantar". Infelizmente esta é a atitude de muitos dos nossos "Ministros Musicais".
Amor e sacerdócio estão intimamente ligados, muitos sacerdotes não tem amor pelo povo e pelos seus músicos, então não se preocupam com seu bem estar. É como o ladrão da passagem de Cristo, que vem para matar, roubar e destruir.
É exatamente isto, se não estamos sujando nossas mãos auxiliando o povo a se livrar de seus problemas, então estamos sendo como o ladrão descrito no texto, porque estamos usufruindo um "posto" e não de um MINISTÉRIO. Temos matado nossos músicos com rótulos que são quase impossíveis de tirar: irresponsáveis, preguiçosos, etc. Temos roubado seu tempo, família, dons, etc. E infelizmente temos destruído qualquer tentativa destes músicos de crescerem.
Mas nós músicos, também temos nossa parcela de culpa, muitas vezes nossas atitudes são de um "ladrão" - não de "servo".
O ladrão faz o que bem entende, o servo o que precisa. O ladrão faz pelo que vai ganhar, o servo pelo amor. O ladrão recebe seu salário, o servo não tem herança.
"Assim também Jesus cuida de nossos interesses com muito zelo. Somos ovelhas dele, e não de outro. Por isso, ele anda quilômetros e quilômetros para nos conduzir a pastos verdejantes. Ele nos conta e reconta. Protege-nos de perigos iminentes e até deu sua vida por amor de nós" Bill Hybels.
Verdade + Sacerdócio + Amor = Ministérios e Ministros completamente envolvidos com a igreja local.
Não podemos esquecer que esta fórmula também nos leva ao aspecto que quase todo músico ama; EXCELÊNCIA.
4º - Excelência "Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo" Salmos 33:3 (ênfase minha).
Gosto muito do que Marcos Witt diz em um dos seus livros: "Quantas vezes participamos de reuniões onde um de nossos preciosos irmãos se levanta e declara: Irmãos, não escutem minha voz, só escutem a letra deste cântico e permitam que lhes ministre. Várias vezes, ao ouvir isto, pensei: Bom, se o irmão não tem dom para cantar, mas deseja que a letra nos ministre, porquê não a digita, tira algumas cópias, distribui as letras e as lemos, sem sermos incomodados com sua voz".
Não quero aqui causar polêmica, nem ofender ninguém, ma nossas igrejas tiveram durante muitos anos uma atitude MEDÍOCRE em relação à música da igreja local, sempre com aquela velha frase, que infelizmente se transformou em desculpa, "É para honra e glória de Deus". Chuy Olivares diz: "Exatamente porquê é para honra e a glória do Senhor devemos fazê-lo com toda a excelência".
Note que a qualidade é o último aspecto tanto deste estudo como do processo de crescimento de um Ministério de Louvor & Adoração. Este aspecto é o último, não o menos importante.
Meu antigo pastor e atual grande amigo dizia algo interessante: "A unção sem técnica é feia; mas, a técnica sem unção é vazia" Pr Julio César (Cuiabá-MT). Esta é uma das primeiras verdades que aprendi, não sei quanto a você, mas eu não quero oferecer algo feio ao Senhor criador da música.
Sempre quando penso nisso fico abalado, Deus criou a música, então nada que faça vai surpreendê-lo, pois conhece todas as escalas, acordes, ritmos, e qualquer outro fator musical de nossas composições. Então como vamos fazer algo bonito para uma pessoa (Deus) que conhece tudo sobre música?
Há algum tempo atrás, quando tive a oportunidade de ministrar o período de Louvor & Adoração em minha igreja, estava tudo normal, as músicas sendo executadas com poucos erros (ainda se está tentando executá-las sem nenhum erro!), as pessoas estavam respondendo ao chamado da adoração; mas quando nosso baterista errou muito feio, tão feio que não me contive e abri meus olhos e olhei para ele, ele estava branco, com olhos arregalados, parecia que estava vendo um fantasma (para um músico o maior fantasma que existe é, outro músico melhor que ele). Realmente tinha um destes fantasmas bem nas primeiras fileiras, enquanto estava de olhos fechados adorando, chegou um destes "monstros". Bem, só era um dos maiores nomes da música evangélica brasileira, ele estava bem ali, na minha frente. Quando o vi confesso que também errei, simplesmente esqueci a letra da música, e por alguns instantes todo o período de louvor estava naufragando.
Neste exato momento, no meio do caos que se tornou a adoração, Deus disse: "Onde estava quando ele entrou?" respondi, "Estava aqui, cantando e adorando", então Deus me disse: "Onde estava quando Eu entrei?". Naquela hora percebi a grande besteira que tinha cometido em tirar os olhos daquele que merece toda honra e louvor, e olhar para um homem. Sabia que aquele homem ministraria muito melhor que eu, ele cantaria muito melhor, mas era eu quem tinha a responsabilidade de guiar o povo naquela hora de adoração.
É exatamente assim que agradamos ao Deus criador da música, devemos olhar para ele todas as vezes que executarmos nossas canções, e, devemos fazer aquilo para o qual fomos chamados. Sabemos que Ele faria muito melhor que nós, mas somos nós que Ele escolheu para cantar sobre sua beleza, amor, graça, justiça...
O que importa é fazermos o nosso melhor. Naquele dia, fiz o melhor que pude, mas desta vez não me importei com quem estava no meio do povo. Fiz para o Senhor, afinal onde estávamos quando Ele entrou para receber de volta aquilo que deu para nós? Ele sim merece toda nossa atenção e devoção.
Jorge Luiz Jesuíno
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